domingo, julho 13, 2014

...E no fim ganha a Fórmula Guardiola


E quatro anos depois, repetiu-se o prolongamento, a vitória pela margem mínima nos últimos 10 minutos do tempo extra e, acima de tudo, a vitória do sistema de Pep Guardiola. Ganharam os melhores. Ganharam os que sabem fabricar o sucesso. Depois de terem batido no fundo há mais de uma década, a Mannschaft repensou o seu rumo, apostou na formação (aquilo que Scolari destruiu por completo em Portugal) e hoje é a par da Espanha o maior viveiro de talentos do futebol mundial.

E se já ameaçavam os grandes títulos, Pep Guardiola acabou por ser impulsionador. Indiretamente ganha o seu segundo Mundial seguido sem nunca ter treinado uma seleção. Criou o Tiki-Taka em Barcelona, que foi a base do sucesso da Espanha nos últimos anos. Agora no Bayern, traduziu a sua fórmula para Tiki-Taken e deu a base à Alemanha para ser campeã do mundo. E foi precisamente com Goetze a ponta-de-lança (invenção de Pep) que o título chegou.

Hoje nem foi o melhor jogo dos alemães, muito graças ao enorme coração argentino, a disputar cada bola como se fosse a última, com uma enorme solidez defensiva (e foi apenas isso todo o Mundial), que manietou o Tika-Taken dos novos campeões do mundo. O duplo pivot Mascherano-Biglia (o jogador do Barça foi de longe o melhor jogador do Mundial dos alvi-celestes... pelos vistos para a FIFA foi o Messi! A sério que não é piada??) foi a base do sucesso que trouxe a Argentina até à final, uma antítese do que é o legado do futebol argentino, mas com um treinador tão mau, só desta forma os sul-americanos conseguiram lá chegar.

Até foram os argentinos a dispor das melhores ocasiões, com Higuain, na primeira parte, a falhar a baliza completamente isolado, após enorme asneira de Kroos, e na primeira metade do prolongamento, o mesmo filme, mas com outro protagonista, Rodrigo Palacio a atirar o chapéu a Neuer para fora. Já para não falar de uma oportunidade clara de Messi no início da segunda parte, também ele a desviar em demasia o seu remate (Neuer não fez uma defesa. Nem uma!)

Os germânicos ressentiram-se da lesão no aquecimento de Khedira (jogou o pouco conhecido Kramer) e da solidez do adversário, que tornaram muito menos fluído o seu futebol. E o titular improvável também não foi feliz saindo por lesão à meia-hora, entrando Schurrle, derivando Ozil para o centro do meio-campo. E seria o jogador do Chelsea a conseguir levar perigo pela primeira vez, aos 37, num remate de fora da área que Romero evitou com grande defesa. E antes do intervalo, a melhor oportunidade do jogo, num canto de Kroos a terminar com cabeceamento de Howedes no poste esquerdo da baliza da Argentina.

Foi um jogo muito intenso, com poucas oportunidades, onde os alemães foram sempre uma equipa mais forte coletivamente, mas que raramente conseguiram ver o outro lado do muro argentino. A lesão de Di Maria deu ainda mais consistência defensiva aos das Pampas, mas roubou a velocidade supersónica do extremo. A formação de Messi (apareceu a espaços mas muito longe do seu real valor. A sério que não estavam a brincar quando recebeu o prémio de melhor do Mundial??) jogou novamente no erro do adversário (desta vez não os aproveitou) e em bolas nas costas da defesa alemã.

Num Mundial de sonho, a cereja no topo do bolo acabou mesmo por ser o golo que decidiu o jogo. Não só porque evitou que tudo terminasse num nulo (o que seria irónico dado o enorme número de golos marcados), mas pela execução extraordinária de Mario Gotze. Uma arrancada de Schurrle na esquerda, deixando para trás toda a defesa argentina, com um cruzamento ao primeiro poste que o pequeno Goetze parou no peito e de primeira atirou de pé esquerdo, cruzado, ao poste mais distante, sem hipótese para Romero. Um hino ao futebol!

Estava encontrado o vencedor. E como quase sempre acontece, ganharam os melhores. A Alemanha foi a melhor seleção deste Mundial, a muitos quilómetros de distância das restantes equipas.

MVP: Bastian Schweinsteiger - Foi um gigante! Esteve em todo o lado. Cortou, construiu, levou porrada de todas as maneiras e feitios, sangrou do rosto, mas foi ainda ele quem foi parar Messi ao minuto 120, demonstrando que deve ter mais pulmões que o comum dos mortais. Aos 29 anos, continua a ser um dos melhores médios do mundo e pena que algumas lesões o tenham limitado nos últimos anos.

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