terça-feira, agosto 08, 2017

É caso para ir à bruxa?


Ao longo das últimas semanas muito se falou de bruxos. Como se costuma dizer, não acredito em bruxas, pero que las hay, las hay. Não faz parte deste espaço falar de bruxas, bruxos, bruxedos e maus olhados. Aqui falamos de futebol, mas efetivamente a malapata da enfermaria da Luz começa a atingir níveis surreais.

Depois de uma temporada em que, apesar do tetra, Rui Vitória teve de gerir mais de 40 lesões no seu plantel, com muitos poucos a passarem incólumes, ao invés de outros que somaram 2, 3 ou mais lesões diferentes, a tendência parece não querer mudar. À primeira convocatória para a Liga NOS 2017/2018, o treinador dos encarnados tem já seis indisponíveis, a que se pode juntar um sétimo, o croata Krovinovic, que está na fase final da recuperação de uma cirurgia. É quase um quarto do plantel atual!

É uma área sobre a qual é difícil tirar grandes conclusões, até porque muitas das lesões são traumáticas e difíceis de evitar. Porém, olhando para a realidade do Benfica face aos seus dois principais rivais, mais uma vez o número de lesões é infinitamente superior. Porto e Sporting têm praticamente todos os seus jogadores aptos para a primeira jornada (no caso dos leões tiveram, dado que já jogou o seu primeiro jogo) ao contrário das águias com todas as baixas já referidas.

Tendência crónica de muitos jogadores para as lesões? Poderá ser. Júlio César está constantemente de baixa, Zivkovic repete a segunda pré-época limitado e quase sem utilização, Horta continua a somar lesões em catadupa, Grimaldo não ultrapassa os recorrentes problemas musculares, isto só para citar alguns dos atuais lesionados. A estes podemos juntar Fejsa, que parece por vezes feito de cristal, Salvio, com tendência para lesões gravíssimas, ou até Jardel ou Jonas, que têm sofrido na última época, talvez fruto da idade continuar a avançar, problemas físicos bastante frequentes.

Ainda que a equipa apresente lacunas que precisam de ser respondidas até 31 de agosto, começa a parecer que, mais uma vez, a grande preocupação de Rui Vitória será a saúde dos seus jogadores. Não será certamente fácil para um treinador passar todas as semanas sem saber com que jogadores poderá contar nem em que condições estarão esses jogadores semana após semana, dado que, como na época passada, a questão ultrapassa muitas vezes o ter os jogadores aptos, pois as constantes paragens retiram a forma aos atletas prejudicando o seu rendimento mesmo quando aptos para jogarem.

O Benfica já fez algumas alterações no seu departamento médico mas as lesões continuam. Talvez o melhor seja mesmo ir à bruxa...

domingo, julho 23, 2017

Três caminhos para uma mesma meta - Sporting CP




Faltam 15 dias para o arranque da Liga NOS 2017/2018... e 6 semanas para o fim do mercado de Verão. Nesta fase são sempre muitas as expectativas para a nova época. Os adeptos entusiasmam-se com cada toque na bola que um novo reforço dá, com a manchete do jornal que promete mais um craque, mesmo que nunca tenham visto mais do que um vídeo do Youtube desse mesmo jogador, onde facilmente um qualquer Fredy Adu parece ser o novo Messi.

Fazer exercícios de adivinhação não é o meu forte, confesso. E muito menos me fio nas bruxarias que determinam campeões. Assim, à luz do que assistimos até agora, aqui fica uma análise ao caminho que os três grandes percorreram até agora visando o tão ambicionado título, que nenhum dos três quer deixar escapar. O objetivo é comum, mas o caminho para lá chegar, até agora, é totalmente oposto entre os três.

Fechamos com a análise ao Sporting que parece mais do que nunca apostado em conquistar o título.


O tudo por tudo pelo regresso à glória com a Champions como fantasma

O Sporting é a antítese dos seus rivais. Apostou forte neste mercado e já superou os 20 milhões de investimento no seu plantel. E nalguns casos o investimento foi zero ou próximo disso, como Matthieu que chegou livre e os emprestados Fábio Coentrão e Doumbia, mas a folha salarial irá crescer só nestes três elementos em mais de 10 milhões, o que aliado à obrigação dos azuis e brancos que já aqui descrevemos de baixar a sua massa salarial em vários milhões, fará dos leões o clube dos três grandes com maior investimento em salários. A menos que se assistam ainda a algumas vendas das suas principais figuras, mas já lá vamos.

Com a obrigatoriedade de estar mais próximo do seu melhor logo no arranque da época, devido ao playoff de acesso à fase de grupos da Champions, os leões são os que terão o plantel mais fechado. Pelos vários reforços. Pelo desenho mais claro do que será o seu plantel, onde já poucas peças faltam, um lateral direito para concorrer com Piccini que poderá já estar na porta de entrada de acordo com as últimas notícias, deverá ser o único elemento por chegar.

A grande questão será então se os leões ainda irão deixar sair as suas pérolas. E será precisamente o playoff da Champions que poderá responder a essa questão. Não sendo cabeça de série, como à partida acontecerá, os leões podem ter Nápoles, Liverpool e Sevilha pela frente e uma eliminação irá obrigar inevitavelmente a uma razia no plantel com William, Adrien e Gelson à cabeça para saírem.

Claro está que essas saídas poderão ser uma realidade independentemente do que acontecer na Champions. E até podem sê-lo antes da eliminatória decisiva de agosto. Adrien e William há muito desejam brilhar noutros campeonatos europeus e também auferir vencimentos superiores aos que têm em Alvalade.



Residirá nesta questão saber que leão teremos em 2017/2018. Com William, Adrien e Gelson no elenco, o Sporting apresenta uma equipa fortíssima para atacar o título. Porque acima de tudo ganha banco. Com Doumbia como uma excelente alternativa a Bas Dost. Com Bruno Fernandes como opção para o lugar de Adrien ou a assumir o posto de 10, levando a melhor sobre Alan Ruiz e Podence. Acuña deixou excelentes indicações na estreia, um extremo que é a antítese dos alas que Jesus tem treinado vindos do país das Pampas, ao contrário de Salvio, Di Maria ou Gaitan, não tem na sua criatividade e drible a sua maior valia, mas sim numa capacidade férrea de trabalho, um pulmão muito forte, aliados a um pé esquerdo capaz de causar desequilíbrios tanto nas bolas paradas como nos cruzamentos e último passe.

O maior problema da época passada foi a permeabilidade defensiva. Jesus pediu Piccini (e mais uma alternativa para concorrer com o italiano), Matthieu e Coentrão mas como escrevi várias vezes o ano passado, o problema maior da incapacidade defensiva dos leões é o seu meio-campo. A saída de João Mário desequilibrou a equipa em termos defensivos. Ganhou ofensivamente com Gelson Martins, mas perdeu muito defensivamente pois o agora médio do Inter fechava por dentro e ficava com um trio de luxo no meio. Gelson não o faz e nem defende com grande propriedade, o que prejudica muito o lateral que joga atrás de si, e limita a dupla do meio-campo. E fez baixar muito a produtividade de Bryan Ruiz, que se viu obrigado a tarefas que na época anterior não teve em termos defensivos, daí a péssima temporada realizada que o atira agora para a porta de saída.

Acuña poderá ajudar um pouco a combater este problema, mas pela primeira amostra com o Mónaco, também não terá grande tendência para movimentos interiores e se William e Adrien saírem, esse problema poderá ganhar proporções catastróficas para as ambições leoninas pois Bruno Fernandes não tem grande pulmão e capacidade defensiva, ao contrário de Adrien, e Battaglia está muito longe da qualidade de William Carvalho para ser um tampão do meio-campo. Como alternativas para 8 e 6 respectivamente, são um upgrade. Como titulares são um downgrade acentuado.

Resta também saber que Coentrão terá o Sporting, se o que encantou no Benfica, se o que passou a maioria do tempo na enfermaria em Madrid e no Mónaco nos últimos três anos. Isso também será certamente muito importante para o futuro dos leões.

Ao contrário dos rivais, a época dos verde e brancos poderá ser decidida logo em agosto. Um enorme peso para Jesus e Bruno de Carvalho. Mas que em caso de sucesso também poderá ser a mola para o regresso à glória que há tantos anos foge aos homens de Alvalade.

Três caminhos para uma mesma meta - FC Porto



Faltam 15 dias para o arranque da Liga NOS 2017/2018... e 6 semanas para o fim do mercado de Verão. Nesta fase são sempre muitas as expectativas para a nova época. Os adeptos entusiasmam-se com cada toque na bola que um novo reforço dá, com a manchete do jornal que promete mais um craque, mesmo que nunca tenham visto mais do que um vídeo do Youtube desse mesmo jogador, onde facilmente um qualquer Fredy Adu parece ser o novo Messi.

Fazer exercícios de adivinhação não é o meu forte, confesso. E muito menos me fio nas bruxarias que determinam campeões. Assim, à luz do que assistimos até agora, aqui fica uma análise ao caminho que os três grandes percorreram até agora visando o tão ambicionado título, que nenhum dos três quer deixar escapar. O objetivo é comum, mas o caminho para lá chegar, até agora, é totalmente oposto entre os três.

Debruçamo-nos agora sobre os dragões que procuram pôr fim a um ciclo de quatro anos sem títulos.


A aposta forçada na continuidade onde só muda o treinador

Parece contraditório, mas o FC Porto é dos três grandes aquele que menos muda no seu plantel e, provavelmente na sua forma de jogar (mas isso será para análises mais à frente pois é muito cedo para isso), mas foi o único que teve alteração no comando técnico. Sérgio Conceição veio substituir Nuno Espírito Santo e a mudança até tem lógica. Acossados pelo Fair-Play Financeiro da UEFA, os dragões estão em regime de Troika. Ora se não podem mudar quase nada no seu plantel, apostam na chicotada psicológica para tentar levar o barco ao tão desejado porto do título. Um hábito que se enraizou durante três décadas mas que parece ter precisado de muito menos tempo para desaparecer.

Se na análise anterior dissemos que o Benfica era o que mais estava disposto a vender e não via nisso um drama, os azuis e brancos estão menos agradados com a ideia de perder ativos, mas ao mesmo tempo têm essa realidade como uma inevitabilidade dadas as questões financeiras. E mais do que se tem falado da necessidade de vender, o grande drama do FCP é a questão salarial. Uma das obrigações definidas pela UEFA é que a massa salarial não poderá passar os 60 ou 70% (não foi publicamente revelada a % exacta) dos resultados líquidos (sem transferências). Ora se olharmos para o último Relatório & Contas (do 1º semestre de 2016/2017) e estimando o total do ano, atualmente ocupa cerca de 100% o que implicará uma redução de salários na ordem dos 20 a 30 milhões!! Por isso parece surpreendente a manutenção de Iker Casillas e, até ver, de Maxi Pereira, sendo que ambos somam quase 10 milhões por ano na folha salarial portista.

Por isso, a grande incógnita na formação do plantel é quem ainda sairá para que o Porto possa cumprir esta obrigação definida pela UEFA. Alguns jogadores ainda deverão assim sair do Dragão e se tal acontecer, que capacidade financeira terão os da Invicta para ir ao mercado?

Não fosse esta realidade, o mais certo era pouco ou nada mexer. A baliza está bem preenchida, a defesa viu chegar Ricardo Pereira (que é muito cobiçado e ainda poderá sair) e Rafa Soares, ambos vindos de empréstimo, para reforçarem as laterais. E no centro da defesa, a grande mais-valia da equipa na época passada, crescem as opções com Indi e Reyes, muito superiores a Boly.

O meio-campo perdeu Ruben Neves mas o jovem médio pouco foi opção e regressou Sérgio Oliveira. Ou seja, quase tudo na mesma, num sector onde o Porto tem boas opções e vive alicerçada naquele que é para mim a sua maior estrela, o médio Danilo.



O grande calcanhar de Aquiles será o ataque. Já o era no ano passado e a perda de André Silva não antevê melhorias. As opções nas alas são muito poucas e não convencem. Brahimi usa e abusa do individualismo, tornando-o num problema para a equipa, Corona parece manter a sua irregularidade, nunca se sabendo se vai aparecer nos jogos, e Hernâni e Marega não parecem com perfil para voos tão altos, mas deverão ter a oportunidade de contrariar esta opinião. No centro do ataque, Soares tentará pelo menos manter o nível de eficácia da meia época que cumpriu no Dragão e que foi decisiva para permitir a luta pelo título até final e ao seu lado estará o camaronês Aboubakar, numa dupla que promete um ataque demolidor em termos de força, tal a pujança de ambos.

Assim, à partida, os dragões até poderão ser aquele que estará mais estável no arranque dada a aposta na continuidade. Contudo, parecem ser os que menos opções de qualidade terão, em especial no ataque. Resta saber o que acontecerá até 31 de agosto. Em caso de alguma oferta irrecusável, dificilmente os dragões poderão dizer não, com Ricardo Pereira, Marcano, Felipe e Danilo à cabeça para poderem sair.

E há ainda outra questão que poderá ser decisiva para o desenho final do plantel. Marcano, Indi, Reyes e Aboubakar estão todos em final de contrato. Já se percebeu que pela questão salarial acima mencionada, os azuis e brancos são incapazes de garantir a renovação de qualquer deles pois só podem oferecer reduções salariais, ou no limite manter o que já ganham, o que obviamente nenhum dos quatro aceitará pois poderão fazer contratos financeiros muito interessantes já em janeiro como jogadores livres. Como encararão os jogadores a época sabendo que estão apenas a prazo no Dragão? E preferirão os Dragões comprometer ainda mais os seus problemas financeiros, preferindo usufruir um último ano destes jogadores ao invés de encaixar alguns milhões, mesmo que menos do que os jogadores valem pela situação contratual?

Três caminhos para uma mesma meta - SL Benfica



Faltam 15 dias para o arranque da Liga NOS 2017/2018... e 6 semanas para o fim do mercado de Verão. Nesta fase são sempre muitas as expectativas para a nova época. Os adeptos entusiasmam-se com cada toque na bola que um novo reforço dá, com a manchete do jornal que promete mais um craque, mesmo que nunca tenham visto mais do que um vídeo do Youtube desse mesmo jogador, onde facilmente um qualquer Fredy Adu parece ser o novo Messi.

Fazer exercícios de adivinhação não é o meu forte, confesso. E muito menos me fio nas bruxarias que determinam campeões. Assim, à luz do que assistimos até agora, aqui fica uma análise ao caminho que os três grandes percorreram até agora visando o tão ambicionado título, que nenhum dos três quer deixar escapar. O objetivo é comum, mas o caminho para lá chegar, até agora, é totalmente oposto entre os três.

Este primeiro texto analisa a realidade do tetracampeão nacional.


Porta giratória da Luz promete só parar a 31 de agosto

Comecemos então pelo tetracampeão nacional, que mais uma vez tem feito do defeso um momento de corrupio de entradas e saídas do Estádio da Luz. Seguindo uma estratégia que se repete há algumas temporadas, Luís Filipe Vieira procura em primeiro lugar fazer render os seus ativos. Entre janeiro e julho já lá vão mais de 150 milhões em vendas, fazendo do clube o que tem maior receita a nível mundial neste defeso.

As saídas de três elementos fundamentais da defesa encarnada, a juntar a várias falhas defensivas nesta pré-época, com especial enfoque a goleada imposta pelo Young Boys por 5-1, lançou o alerta entre adeptos. Mas como o Benfica tem feito, as saídas são preparadas com antecedência, ou com elementos provenientes do Seixal, que cada vez dá mais cartas e valores de relevo.

É certo que falta um Guarda-Redes, apesar de Júlio César continuar a ser uma mais-valia, mas os seus problemas físicos não deixam ninguém descansado e Bruno Varela parece ainda curto e a requerer mais tempo para evoluir (pessoalmente tenho dúvidas que alguma vez ultrapasse as lacunas que apresenta). No lado direito da defesa tudo estava pronto para Pedro Pereira assumir o lugar, depois de seis meses de maturação na Luz. Porém uma exibição desastrada na goleada frente aos suíços pareceu mostrar algum complexo psicológico que muitas vezes é fatal para jogadores que têm qualidade para outros voos. É ingrato avaliar o jovem defesa em definitivo, mas com a recente aposta em Aurélio Buta, da Equipa B, parece que o internacional sub-20 começa a levar a melhor sobre o jovem que regressou depois de passagem com sucesso aos 17 anos na Série A ao serviço da Sampdória. E ainda há André Almeida que, à partida, será o dono do lugar no arranque.

Ainda o centro da defesa gera preocupações, dada a idade de Luisão e o ano carregado de lesões de Jardel na temporada transacta. Com Lisandro a teimar em somar erros que levantam muitas dúvidas sobre a sua capacidade para vir a ser opção, e dois jovens da equipa B, Ruben Dias e Kalaica, cuja maturidade em lugar tão importante pode ser questionada, apesar do grande sucesso que Lindelof teve em situação semelhante.

Daí para a frente há poucas dúvidas, dado manter-se toda a equipa que conquistou o tetra, à qual se somaram várias novas opções pelo que a dor de cabeça será mesmo saber quem irá ainda sair pois não poderão ficar todos na Luz.



Em resumo, a porta do Estádio da Luz ainda se prevê que continue a girar até ao final do mercado. E a estratégia passa por aí mesmo, continuar a vender e a gerar mais-valias, e com isso dar espaço a que outros valores, vindos da B ou jovens estrangeiros recém contratados: Martin Chrien, Krovinovic (que ainda não se viu por estar a recuperar de lesão), Chris Willock, Haris Seferovic, Diogo Gonçalves e João Carvalho estão todos à espera da sua oportunidade.

Lisandro parece a mais, como referido acima, e Samaris poderá também ser uma boa venda dado que tem valor de mercado e não sobra muito mais tempo para fazer dinheiro com o grego que custou 10 milhões. Um dos avançados deverá também sair agora que chegou Seferovic, que tanto se tem destacado na pré-época, parecendo Jimenez com mais mercado e maior valor financeiro, mas talvez longe dos 60 milhões que Vieira revelou que esperava um dia fazer render com o mexicano. Há também Salvio e Carrillo, o argentino que por lesão falhou por mais do que uma vez a transferência milionária, mas que ainda poderá render uma verba acima de 20 milhões, e o peruano que nunca se afirmou na Luz e que com o excesso de extremos poderá rumar a outras paragens, nem que seja por empréstimo, para garantir a poupança de um dos ordenados mais altos dos encarnados e assegurar uma hipotética valorização do passe tendo em vista uma venda na próxima época, dado que na Luz continuará a ter pouco espaço.

Inversamente, como já referido, vai inevitavelmente entrar um novo guarda-redes e sobra a dúvida se chegarão defesas para o lado direito e para o centro. De resto, só mesmo uma saída poderá ditar mais entradas, o que não será uma inevitabilidade caso Samaris saia, dada a escassez de alternativas para o lugar de Fejsa, ou mesmo Pizzi, o que poderá também não surpreender dado ter custado 14 milhões e estar no ponto alto da carreira, sendo difícil que valorize mais do que o fez na época passada.

As dúvidas são muitas e ao contrário dos rivais, é o clube mais disposto a vender e que menos faz disso um drama. Por isso, é talvez o que só mesmo a 31 de agosto verá a sua contabilidade do plantel fechada.

Uma nota final que tem escapado nas análises que diariamente jornais e sites desportivos fazem quando prevêem as dispensas na Luz. Para ter 25 jogadores inscritos na Champions League, é necessário ter 4 atletas formados na Luz. Na época passada só teve 3 que eram Paulo Lopes, Lindelof e Gonçalo Guedes, baixando esse número para 2 quando Guedes saiu para o PSG. Presume-se que os responsáveis encarnados não queiram novamente ter um número reduzido de inscritos na liga milionária, pelo que entre Varela ou Paulo Lopes, Buta, Ruben Dias, Diogo Gonçalves e João Carvalho, a maioria acabe por integrar o plantel. Um será o Guarda-Redes, e a Varela ou Lopes se juntarão mais 2 ou 3 dos mencionados. E há ainda o pormenor de Horta e Pedro Pereira precisarem de fazer este ano para somar o 3º ano de formação e passarem a contar para a UEFA como formados localmente. Sendo que o lateral direito, poderá consegui-lo ainda mesmo que seja emprestado, desde que para o ano fique no plantel somando o 3º e último ano de formação na Luz. Já Horta não tem essa hipótese pois em caso de empréstimo já nunca contará como formado pelos encarnados.

Para os adeptos a estratégia no defeso não é a mais entusiasmante, quando vêem os rivais da 2ª Circular somar reforços e investir quantias pouco habituais para aqueles lados, mas a verdade é que nos últimos quatro anos a realidade não foi muito diferente e o resultado final foi sempre o mesmo, o título de campeão nacional para os homens da Luz.

segunda-feira, abril 17, 2017

O dérbi, a paixão e a razão








Muitos falam do Sporting-Benfica como um jogo que, basicamente, só interessa ao Benfica e ao FC Porto. Penso que falta aqui um detalhe, uma derrota dos verdes e brancos deita, em definitivo, por terra todas as possibilidades de os leões fazerem um brilharete nesta edição do campeonato. Não acredito, mesmo que consiga vencer o rival de Lisboa, que o Sporting chegue ao título mas tem condições ainda de aspirar ao segundo lugar.

E isso, neste momento, é possível. Difícil, sim, mas possível. E, vendo bem, não há assim um oceano a separar o Sporting desse objetivo... desde que, claro, bata o Benfica.

Reparo à minha volta e ouço muitos sportinguistas e benfiquistas a darem o favoritismo ao Sporting. Não percebo muito bem porquê, até porque nos dois últimos encontros entre os dois clubes, mesmo com o Sporting a jogar mais e melhor futebol, o vencedor deu pelo nome de Benfica. O que também é sinal de traquejo, experiência, estofo e sapiência perante situações complicadas. Para sustentar o que estou a dizer, convido quem torcer o nariz à minha linha de raciocínio a procurarem campeões nacionais em Alvalade. E mesmo no FC Porto temos Casillas, sim senhor, e Maxi Pereira, com um currículo bem recheado pela sua passagem na Luz.

Acredito que o Benfica vai tentar, como na época passada, entrar pressionante para ver se consegue marcar cedo e depois ficar na expetativa de um erro do seu opositor que possa vir a acontecer. E depois sabe perfeitamente que um triunfo em Alvalade é sinal de tetracampeonato.

Isto leva-me a outra questão. A quem interessa mais ao Sporting ver como próximo campeão nacional? Benfica ou FC Porto? Parece parva a pergunta, bem sei, mas eu acho que só vastíssimas razões de natureza emocional pode dizer que prefere ver o FC Porto campeão.

Passo a explicar porquê. É mau para o Sporting ver o Benfica campeão. Ainda por cima quatro vezes consecutivas, contudo, se o FC Porto conquistar o seu primeiro título em quatro anos vai fazer ressuscitar a conversa da bipolarização do futebol português. E nesta brincadeira o Sporting arrisca-se a ficar de lado por não ter requisitos para ir ao recreio. E é isso precisamente que o Sporting não deseja.

Depois, esta foi uma época de all-in do FC Porto que, na próxima época, terá mesmo de fazer 117 milhões de euros em vendas (está bem referenciado este desiderato no último relatório e contas) o que vai levar, inevitavelmente, a uma delapidação da qualidade do seu plantel. Falam-se em engenharias financeiras mas atenção que nesta matéria a UEFA não costuma deixar os seus créditos por mãos alheias.

Bem, para não me acusarem de não colocar em cima da mesa a possibilidade de o Sporting poder ser campeão ainda esta época eu, que não misturo em caso algum religião com fé clubística, cito apenas uma frase ouvida neste fim-de-semana por um sportinguista... muito sportinguista: "Deixe-me acreditar, não me esqueço que o Papa vem a Portugal em Maio."

PS - Como isto é um país a brincar ninguém ligou à arbitragem de um senhor chamado Hélder Malheiro no Tondela-Rio Ave. Aquilo não pode ser só uma tarde má, tem que ser mesmo incompetência

terça-feira, março 21, 2017

A falta de memória (e de gratidão) no futebol






Ponto prévio: Não considero Augusto Inácio o melhor treinador do mundo e nunca consegui perder cinco minutos a ver um jogo de uma equipa liderada por Claudio Ranieri.

Posto isto, pergunto: que mundo é este onde a ingratidão e a falta de memória grassam de uma forma desmedida?

Augusto Inácio deu ao Sporting um título que não conseguia há 18 anos tendo Jardel na equipa adversária e pegando num conjunto de jogadores que, tirando Schmeichel e André Cruz, disputavam, ano após ano, campeonatos para passar o tempo. Mas fê-los acreditar e obteve um título nacional em que poucos acreditavam quando rendeu um italiano que nunca fez nada de assinalável na carreira. O que lhe valeu? Pouco ou nada.

O mesmo Augusto Inácio, 17 anos depois, vence, ao serviço do Moreirense, FC Porto, Benfica e Sporting de Braga e ainda ergue uma Taça da Liga impensável para um clube de uma vila com 5 mil habitantes. E ainda perde os dois melhores jogadores. Mesmo assim, apesar de somar jogos atrás de jogos sem vencer enquanto tenta habituar a equipa à perda dos seus melhores elementos, mantém o Moreirense fora da zona de despromoção. Resultado: é despedido.

Claudio Ranieri foi campeão inglês no Leicester, que não é bem a mesma coisa que ser num Chelsea, United, City ou mesmo Tottenham. Falam do demérito dos outros, sim, é verdade, mas ele deve ter tido algum mérito. Não gostei do futebol do Leicester, eu que sou um apaixonado pela posse de bola na mesma medida em que sei apreciar uma equipa que saiba fazer boas transições como o Mónaco de Jardim. O Leicester de Ranieri não era nem uma coisa nem outra, mas ganhou. E está provado que os maus resultados desta temporada não são um exclusivo do trabalho do italiano. Ranieri assinou a rescisão e mal pousou a caneta o Leicester desatou a ganhar. Estamos a falar da mesma equipa, formada pelos mesmos jogadores, que continuam a treinar nos mesmos campos e a jogar no mesmo estádio.

Não, não são os melhores do mundo, Ranieri então não é mesmo, mas temos que ter memória. E, afinal, Inglaterra não fica assim tão longe de Portugal

segunda-feira, março 20, 2017

O trauma de ser adepto do Benfica


Vem este texto a propósito da larga depressão que assolou os adeptos benfiquistas entre o final da noite de sábado até às 20h deste domingo. E visa traçar as características gerais da maioria dos adeptos sub-40 dos encarnados. Eu faço parte deste grupo (sub-40 e adepto do SLB) mas por não me rever minimamente nos seus comportamentos, nada melhor do que expor detalhadamente o seu perfil...

O adepto benfiquista é assim, está sempre tudo mal. A começar pelo treinador, a passar pelo presidente, até aos jogadores e às modalidades. Mas o mais curioso é que adepto benfiquista, com até 40 anos, praticamente nunca viu o Glorioso que lhe contaram que o Benfica foi na geração dos seus pais e avós. Ao longos dos últimos 20 anos, com exceção do atual tricampeonato, viu o Benfica vencer duas miseráveis vezes. Viu o clube passar a sua pior fase, sem vitórias, sem dinheiro e quase na falência, sem formação, sem modalidades. Nada ganhava.

Ao longo dos últimos anos os momentos de glória regressaram. No futebol, com 4 títulos em 7 anos. Duas finais europeias, várias Taças de Liga e ainda mais uns troféus entre Taça de Portugal e Supertaça. Nos escalões mais jovens começam a brotar talentos, vários já vendidos por vários milhões para clubes de top europeu, como Renato Sanches ou Gonçalo Guedes, para além de duas presenças na final four da Youth Champions League e a única equipa europeia a marcar sempre presença nos quartos-de-final da competição nas suas quatro edições. Nas modalidades as vitórias têm sido mais do que muitas, no Hóquei, onde até dois títulos europeus foram ganhos nos últimos anos, no Voleibol, no Basquetebol, no Futsal e até um ou outro no Andebol onde apesar de tudo o Benfica investe menos face aos rivais.

Porém, se formos navegar nas redes sociais ou no mais popular fórum online dedicado ao clube, o Ser Benquista, e estivermos completamente out em termos de informação desportiva, pensamos que ainda estamos em plena década de 90, com Vale e Azevedo à frente dos destinos do clube e com o ponto mais alto da atualidade a ser o patrocínio a uma equipa italiana de pólo aquático...

O Presidente é acusado de nada fazer de jeito pelo Benfica e de apenas estar preocupado em vender jogadores (de facto parece ser uma preocupação a ver pelo quase roadshow em período de janela de transferências). Qualquer entrevista que dá é escalpelizada ao detalhe sempre em tom crítico. Mas quer-me parecer que por muitos erros que tenha cometido e muitos defeitos que tenha, foi este presidente quem tirou o Benfica do buraco e voltou a colocá-lo na frente do futebol nacional, ou um tricampeonato era algo a que estavam habituados? Em 36 anos da minha vida foi algo que nunca tinha visto...

Quando passamos para o treinador, o tom da crítica sobe ainda mais. "Não é um treinador à Benfica" é a crítica mais comum. O que será isso? Jesus não o era pois era mal educado e não apostava nos jovens. Rui Vitória aposta nos jovens mas é demasiadamente educado e apesar da equipa ter tido o recorde de sempre de pontos na Liga NOS no primeiro ano à frente da mesma e liderar este ano a Liga quase desde início apesar de mais parecer treinador da secção de Ortopedia do Hospital da Luz, isso é insuficiente. Porque para o benfiquista sub-40, o Benfica tem de ganhar tudo. Todos os jogos. No mínimo por 5-0. E ganhar a Champions porque o Real Madrid ou o Barça ao pé do Benfica são Aroucas e Tondelas da vida.

Não havia aposta nos jovens e agora há, mas nem assim Rui Vitória satisfaz. Basta ler este "belo" texto ou este, que apesar de concordar com toda a parte inicial, quando chega às observações ao treinador do Benfica, consegue a hilariante comparação com o técnico italiano Sarri, do Nápoles, que nunca ganhou nada na vida mas fuma no banco e isso mostra uma fibra qualquer merecedora de orientar os destinos das águias.

Ora em conclusão, um treinador à Benfica é alguém a quem ganhar não chega, certo? E ganhar com jovens da formação no onze também não?

Mas esta depressão constante do adepto benfiquista sub-40 após qualquer derrota ou empate nota-se igualmente noutros quadrantes. Por exemplo nas camadas jovens e equipa B. Frequentando com regularidade o fórum Ser Benfiquista, vemos que Hélder Cristóvão, apesar de ter ajudado a lapidar vários talentos antes da chegada à equipa A com sucesso, é pior treinador que um qualquer Vercauteren desta vida. E João Tralhão, que apesar de também contribuir decisivamente para tantos talentos estarem já na ribalta, e de ser um dos grandes obreiros pelo sucesso internacional dos juniores, é criticado por ser incapaz de ganhar o campeonato de juniores mesmo tendo mais de 6 titulares e estrelas da sua equipa a jogar na B? Isto é o Benfica meus amigos, aqui tem de se ganhar o campeonato de juniores, juvenis e iniciados nem que seja com os miúdos de 5 anos que pagam para andar na escola do Benfica!

E termino com as modalidades, onde o maior exemplo é o treinador do Hóquei, Pedro Nunes, que é constantemente criticado neste fórum apesar de ter ganho os últimos dois títulos nacionais quase sem derrotas, de ser bicampeão da Europa nos últimos três anos, etc. Qualquer treinador de qualquer modalidade é para o adepto encarnado um alvo a abater. À primeira derrota, rua com eles todos que isto é o Benfica e no Benfica não ser perde.

Não é fácil por vezes ser adepto deste clube. Parece que todos têm o rei na barriga e acham que os rivais, seja em que modalidade for, não existem, porque todos estão abaixo do Benfica e qualquer ano onde haja três empates ou 2 derrotas, mesmo sendo campeão de qualquer modalidade, fica abaixo do que estes adeptos querem.

O que se passou este fim-de-semana após o empate na Mata Real e até ao empate do Setúbal no Dragão, foi o paradigma do que aqui descrevi. Na realidade isto não é mais do que o espelho do adepto traumatizado, que é a melhor forma de descrever o adepto do Benfica. Foram 20 anos de traumas e por isso, apesar de hoje o Benfica dominar o desporto português em quase todas as modalidades e ser tricampeão de futebol, que é obviamente o que mais importa aos fãs de qualquer equipa, à primeira dúvida ou vacilação submergem numa onda de pessimismo que vão regressar os tempos de seca e míngua de vitórias. Quantos anos mais de vitórias serão precisos para ultrapassar este trauma?

Curioso que o SLB disponibiliza agora a sua clínica no Estádio para os seus sócios. Talvez o melhor seja abrir um consultório de psiquiatria gratuito...







quinta-feira, março 09, 2017

Um filme já antes visto



O resultado que o Benfica fez em Dortmund não me parece de todo anormal, o que me parece desajustada da realidade é a maneira como o tricampeão nacional se apresentou na Alemanha. Com medo, com cautelas e um sistema de jogo totalmente diferente daquele que costuma utilizar e também do que normalmente treina.

Isto faz-me lembrar aquela velha moda dos treinadores portugueses de reforçar o meio-campo sempre que jogavam diante de colossos europeus. Por não ter feito isso é que José Mourinho teve sucesso, mas também é preciso saber fazê-lo. Que o diga Jorge Jesus que raramente deixou de utilizar o 4-1-3-2, principalmente no Benfica, mas sem o saber adaptar às exigências de uma competição de uma cilindrada mais elevada e que nada tem a ver com o futebol português.

O Benfica do presente exibe uma dupla faceta; forte com os fracos e fraco com os fortes. Antes de expressar o meu raciocínio sobre este Benfica nada há a apontar a Rui Vitória, cujo trabalho tem superado todas as expetativas. Feita esta declaração, sou obrigado a dizer que com adversários de poderio semelhante ou superior, e com este treinador, o Benfica apenas se mostrou mais forte em casa com o FC Porto na época passada - para mim o melhor jogo em futebol explanado no relvado na era Rui Vitória - e perdeu.

Nesta temporada em Nápoles, o Benfica já tinha jogado com André Almeida no meio-campo, ontem voltou a fazê-lo. E nos dois jogos encaixou quatro golos, amenizados em Itália por uma boa ponta final.O problema não é André Almeida, um dos futebolistas mais injustiçados do futebol português. A grande questão é que não se pode ter dois jogadores - André Almeida e Samaris - posicionados à frente da defesa sem qualquer capacidade de construção. O Benfica, em Dortmund, só mostrou algum critério quando Pizzi baixava e assumia as rédeas do jogo.

Como disse, e bem, Carlos Daniel (ver vídeo com a sua análise em baixo), o Benfica não pode jogar à Tondela no campo do Dortmund, como, afinal de contas, Pizzi deixou sub-entendido no final do encontro ao reconhecer que a estratégia passava por aguentar defensivamente e depois tentar um golo no contra-golpe.

Fico com a sensação que com alguma ambição o Benfica podia ter seguido em frente. Ou então, bastando-lhe ser igual a si próprio. Porque sempre pensei que o Dortmund se quisesse apurar-se teria que fazer sempre três golos pois não estava a ver o Benfica a sair da Alemanha sem marcar.

Esta falta de competitividade das equipas portuguesas na Europa do futebol tem-se vindo a acentuar - o Benfica e o Sp. Braga da última temporada são as exceções - e tem muito a ver, na minha opinião, com a falta de qualidade do nosso campeonato. Enquanto os clubes mais pequenos não abandonarem o servilismo aos grandes, com empréstimos e relações menos saudáveis, jamais teremos um campeonato forte. E sem um campeonato forte, não podemos ter as nossas melhores equipas preparadas para dar cartas na UEFA.

O próprio V. Guimarães, que é um clube com uma identidade muito própria e com massa adepta que não coloca nenhum dos grandes acima do emblema da terra, tem jogadores emprestados por FC Porto e Benfica como já teve na época passada do Sporting. E se é assim com o V. Guimarães, não se pode levar a mal que outros clubes adotem a mesma política.

Haverá vontade de mudar?

Águia abatida com febre amarela


Não sei se há febre amarela no Gabão, mas se não há a águia conseguiu o feito de apanhar a doença graças ao um cidadão deste país que vive na Alemanha. Depois do milagre da vitória por 1-0 na Luz, esperar outro em Dortmund obrigava a 6 milhões a irem a Fátima ver o Papa no dia 13 de maio, o que não dava jeito nenhum pois a hotelaria está lotada ou então a preços tão caros que nem quero imaginar quando se alugarem quartos para ver o Sporting campeão (é que é coisa mais rara que o Papa vir a Portugal...).

Podíamos dizer que o Dembele devia ter sido expulso (e se devia!) ou que o quarto golo é fora-de-jogo, para justificar que a coisa até podia ter sido menos má, ou quem sabe até desse para passar. Só que não vale a pena. O Dortmund é de outra galáxia. É uma verdadeira trituradora ofensiva. Não defende muito bem, mas ataca tanto que parece uma debulhadora que leva tudo à frente. Nos últimos três jogos foram "só" 16 golos! E em 20 jogos só não marcou na Luz. Pelo menos foi o que disse o Rui Vitória e se o ditado diz que mais se depressa se apanha um mentiroso que um coxo, andando o homem coxo há muito tempo, é porque deve ser verdade (nem vou confirmar que não quero ver mais nada amarelo hoje... ainda bem que a minha mulher não é loura!).

O Benfica até se bateu bem. Voltou a sofrer um golo a abrir na Alemanha, depois de igual feito em Munique há um ano, mas depois aguentou-se bem, equilibrou, até teve uma ou outra oportunidade na primeira parte, contra quase nenhuma do Dortmund. E a abrir o segundo tempo aquele pequenito argentino que conseguiu ser o melhorzinho do ataque, levantando a questão de porque não joga para andar o Carrillo ou o Salvio em campo, falhou o empate na melhor oportunidade do Benfica.

A partir daí foi o que se sabe. O Eliseu e o Lindelof abriram uma avenida na Alemanha, devem ter sido contagiados pela famosa produtividade dos alemães e em dois dias em Dortmund asfaltaram uma boa parte do relvado, e o Aubameyang mostrou que na Luz estava só a brincar para a coisa não ser tão pesada no total da eliminatória. Isso são feitos para outro clube de Lisboa...

Há três semanas escrevi aqui que era preciso reforçar o meio-campo. Não adivinhava era que o Fejsa e o Felipe Augusto se iam lesionar... Com o Samaris e o André Almeida o efeito não é o mesmo. Nem foi por aí, apesar de tudo, o pior foi mesmo o Salvio estar em campo. Já pareceu um extremo de elite até começar a partir braços, pernas... entretanto deve ter fraturado o cérebro mas não foi comunicado para não desvalorizar ainda mais o argentino... É que o querer vendê-lo já é tão óbvio que só isso explica que continue em campo...

Claro que podiam ter jogado outros, a começar pelo Rafa, na minha opinião, mas isso interessa muito pouco. De uma forma ou de outra o fim ia ser o mesmo, sejamos sinceros. É muito bonito chegar aqui mas isto já é outro campeonato para a realidade portuguesa...

Para a semana é a vez da Juve despachar o Porto e sobra a luta pela título na Liga NOS para animar a malta que a Europa, mais uma vez, é motivo para depressão tuga!

segunda-feira, março 06, 2017

Bruno de Carvalho... e agora?



Confesso que fiquei surpreendido com a legitimação que Bruno de Carvalho recebeu dos sócios. 86% da votação é um número esmagador e que deixa o atual presidente com uma margem que precisa de saber capitalizar. Saberá?

Vamos ver.

Bruno de Carvalho conseguiu fazer um mandato de quatro anos em que melhorou muito o clube. Não era difícil, Godinho Lopes deixou o Sporting completamente estrangulado financeiramente com um PER em cima da secretária que previa o fim das modalidades, com a exceção do futsal que passava para a SAD. A equipa de futebol estava no sétimo lugar e sem dinheiro para ordenados.

Nestes quatro anos, o Sporting revitalizou as modalidades que já tinha, chamou à tutela do clube o hóquei em patins e fez regressar o ciclismo.

No futebol soube sempre escolher bem os treinadores, teve a ousadia de resgatar Nani, ganhou uma Taça de Portugal e uma Supertaça e ainda bateu o recorde de pontuação do Sporting no campeonato que, valha a verdade, de nada lhe valeu.

Mas o Sporting agora bate-se de igual para igual com o Benfica e o FC Porto. Não nos dias que correm, mas genericamente os seus rivais já não olham para o Sporting como um clube sem capacidade de lhes fazer frente. Mérito de Bruno de Carvalho.

Não lembrar isto é ter memória curta e o grande problema de quem analisa é que faz os seus balanços tentando denegrir as atitudes (boas e más) de quem não gosta e exponenciar os gestos de quem tem, alegadamente, um comportamento exemplar no quotidiano.

Bruno de Carvalho se tivesse adotado uma pose de estadista, de pessoa contida, discreta, sem voltas olímpicas ou frases provocatórias seria elogiado por tudo e todos e, se calhar, não tinha ninguém a cair-lhe em cima.

A comunicação é o grande problema do atual presidente do Sporting. Falta-lhe resistir à tentação de controlar uma área que não domina e uma escola de comentadores nas televisões que o Benfica tem e que poupa Luís Filipe Vieira ao desgaste. Bruno de Carvalho não tem essa escola, nem o passado de sucesso do FC Porto que ainda granjeia respeito, por isso assume todas as guerras e desce ao nível dos comentadores e de pessoas que estão em patamares abaixo do seu. E enquanto faz isso não faz outras coisas.

Disse, durante o debate com Pedro Madeira Rodrigues, que nos próximos quatro anos ia resguardar-se mais.

Conseguirá? Se o conseguir pode dizer-se que dá um enorme passo, mas o discurso da vitória, mal foram conhecidos os resultados eleitorais, não são, decididamente, um bom prenúncio. Pode ter sido um momento de empolgamento? Pode, mas Bruno de Carvalho tem muitos momentos desses que leva a terceiros sentirem-se, com legitimidade, ofendidos.

No futebol, ao prometer (palavra cara em campanhas eleitorais) que o Sporting vai ser campeão mais do que uma vez nos próximos quatro anos deixou-o refém da bola entrar na baliza. Ou seja, se o Sporting não for campeão nos dois próximos anos a oposição, que agora segue para férias por via dos resultados eleitorais, vai estruturar-se e com figuras de peso. Não com Pedro Madeira Rodrigues - que com os 9% de votos que recebeu dos associados deve ter hipotecado qualquer possibilidade de voltar a ter uma oportunidade de ser presidente do Sporting.

Basicamente Bruno de Carvalho está refém da sua equipa de futebol, não há outra forma de dizer isto, mesmo que consiga vender jogadores como nunca ninguém vendeu em Alvalade.

Se lermos o programa eleitoral de Bruno de Carvalho percebemos que o diretor desportivo é Bruno de Carvalho. Percebemos que o responsável máximo da Academia é Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting devia saber delegar em pessoas equilibradas, que saibam dos seus pelouros, que tenham liberdade para atuar e coragem de contrariar o presidente e de ir contra a sua opinião em nome dos superiores interesses do clube. Acredito que isso já aconteça com Carlos Vieira, o Ministro das Finanças do Sporting, mas surgirá em mais algum departamento nevrálgico do universo leonino? Um líder, um verdadeiro líder, tem que se saber rodear e ouvir quem está à sua volta e filtrar as melhores ideias e opiniões.

Para o Sporting é uma pena que Bruno de Carvalho não consiga alterar o seu comportamento porque tem feito um trabalho muito meritório. Mas do sucesso, seu e do Sporting, dependerá a sua capacidade de fazer uma introspeção que o leve a diminuir o efeito dos seus defeitos e a aumentar o alcance das suas virtudes.

Para o fim deixo uma dúvida. E Jesus? Na campanha eleitoral, o treinador foi um dos temas fortes e Bruno de Carvalho chegou ao ponto de dizer que o quer manter até ao fim do mandato que agora se inicia, querendo isto dizer que já pensa numa renovação do contrato que termina em 2019. No entanto, se os jogos que faltam até final do atual campeonato não terminarem em vitórias na sua esmagadora maioria ninguém acredita que Bruno de Carvalho trave qualquer investida de um clube... estrangeiro. E depois basta-lhe saber escolher como tem sabido até ao momento.