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quinta-feira, junho 14, 2018
As escolhas do Engenheiro
A um dia da exigente estreia de Portugal no Mundial Rússia 2018, frente à Espanha, que mesmo com a polémica substituiçao de Lopetegui por Hierro em cima do Campeonato do Mundo, continua a ser um osso muirto duro de roer, Fernando Santos terá ainda algumas dúvidas a matutar na sua mente. Na minha opinião são apenas três os lugares em aberto sendo um deles uma verdadeira incógnita.
Comecemos precismente por esse, o centro da defesa da seleção das Quinas. Claramente é aqui que reside o ponto fraco dos campeões da Europa. Pepe é o esteio mas o seu parceiro continua em aberto. Nos jogos de preparação todos os restantes três centrais na convocatória tiveram oportunidade de jogar a titular ao lado de Pepe mas nenhum parece ter agarrado lugar de forma evidente. É certo que também nenhum comprometei de forma grosseira, pelo que a dúvida se mantém.
José Fonte parece a escolha mais óbvia pela recurrência da opção durante o apuramento. Bruno Alves foi chamado a titular no último jogo frente à Argélia, o que se considerarmos que foi o teste final, poderá ser indicador da escolha. E por fim Ruben Dias é, para mim, o melhor dos três mas também o mais inexperiente e prefere claramente jogar sobre a direita da dupla, o que aqui não será possível dado que esse posto é de Pepe.
Seja qual for a opção, poderá ser este o calcanhar de Aquiles da equipa de Fernando Santos, esperando todos os portugueses que apesar de tudo, quem assuma o lugar não comprometa perante a armada espanhola.
A segunda dúvida está no meio-campo, em saber quem entre João Mário e Bruno Fernandes será o terceiro médio. Fernando Santos costuma ter um médio de origem mais central que deriva para uma ala. Foi assim no Euro com João Mário, André Gomes e Renato Sanches. Será aqui também com João Mário ou Bruno Fernandes. O médio que rescindiu há dias com o Sporting esteve em grande plano frente à Argélia e poderá ter convencido o Engenheiro. Mas como o seleccionador nacional não é muito dado a mudanças, pode optar pelo médio do Inter que evoluiu no West Ham na segunda metade da época.
Bruno Fernandes poderá dar mais intensidade, mais meia distância e mais verticalidade ao jogo de Portugal, até porque se Gonçalo Guedes for a opção para a dupla com CR7, o extremo emprestado ao Valência, mesmo jogando como avançado, poderá abrir na esquerda, assim como o capitão, permitindo que Bruno Fernandes apareça no centro, como aconteceu no segundo golo luso frente à Argélia.
Por fim, a dúvida sobre se Guedes assume o lugar que no apuramento foi de André Silva. Depois de bisar frente aos argelinos, tudo aponta nesse sentido, até porque a temporada do jogador formado no Seixal foi muito superior à do ex-Porto que teve muitas dificuldades para se impor em Milão. Contudo, André Silva é um jogador de área ao contrário de Guedes que prefere evoluir a partir da ala, apesar de ter feito boa parte da sua formação nas camadas jovens do Benfica jogando como avançado.
A mobilidade com Guedes é superior e partindo do pressuposto que Fernando Santos não irá assumir o jogo contra os espanhóis, mais sentido faz a aposta no jogador que brilhou na Liga Espanhola esta temporada, pela velocidade de ponta que adiciona ao jogo de Portugal, contra o maior sentido posicional do avançado rossonero.
Tem a palavra o Engenheiro Fernando Santos!
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quarta-feira, junho 13, 2018
Uma questão de princípios ou de falta deles
Num mundo onde cada vez mais os princípios e a ética parecem escassear ou ser assunto de menor importância, mais ainda no desporto-rei, é de louvar a posição do Presidente da Federação Espanhola de Futebol, Luís Rubiales, ao colocar em primeiro lugar o princípio ético em detrimento das questões desportivas. Questionável a decisão para a maioria do adeptos? Provavelmente. Poderão os objetivos competitivos estar em causa? Não necessariamente, mas é possível que a equipa e os jogadores se venham a ressentir.
O que está em causa é a falta de lealdade de Julen Lopetegui com a sua entidade empregadora. Aceitar um convite do Real Madrid a três dias do início do Mundial de Futebol e sem sequer colocar os responsáveis federativos a par do convite dos merengues é no mínimo incorrecto. De acordo com Rubiales, apenas cinco minutos antes do anúncio oficial da escolha de Lopetegui como novo técnico do gigante espanhol Florentino Perez lhe ligou dando conta do acordo entre o selecionador espanhol e o Real. E ex-treinador do Porto nem sequer fez qualquer aviso prévio das negociações ao Presidente da Federação.
Resultado? Instalou-se a crise no seio da equipa nacional espanhola. Rubiales reuniu esta manhã com Lopetegui e, apesar dos esforços dos jogadores em acalmar o líder da federação e demovê-lo da intenção de rescindir contrato, a decisão acabou mesmo por ser essa.
Luis Rubiales é o sucessor de Angél Vilar, o polémico e quase eterno Presidente da Federação Espanhola que está hoje a contas com a Justiça espanhola depois de um conjunto de escândalos. E a sua premissa foi voltar a fazer da Federação Espanhola de Futebol uma entidade séria que pugnaria pela verdade e transparência. Por isso, é compreensível a decisão de hoje, onde os princípios e a ética se sobrepuseram ao interesse desportivo.
Para a seleção de nuestros hermanos é difícil pensar em pior situação a 48 horas de ver a sua equipa entrar em campo e logo para o confronto teoricamente mais complicado da fase de grupos, frente a Portugal, campeã europeia. E ao contrário do que por vezes acontece noutro tipo de crises no seio de um grupo, esta situação não parece ser a que leva a um toque a reunir de uma equipa, pois os jogadores aqui são vítimas colaterais de um problema que não lhes diz diretamente respeito e sobre o qual não têm qualquer responsabilidade.
Caberá a Fernando Hierro, antigo capitão da seleção espanhola e, curiosamente, um símbolo do Real Madrid, que esteve na génese desta crise, controlar os danos e tentar manter o barco em ritmo de cruzeiro seguindo a estratégia que já estava preparada para o Mundial.
Quanto a Julen Lopetegui, fica mal na fotografia pela postura adotada, e hiper pressionado para ter sucesso à frente do Real Madrid. Caso as coisas lhe corram mal, poderá hipotecar o seu futuro, pois a sua imagem sairá beliscada quer ao nível ético quer ao nível desportivo, isto depois de já ter falhado ao serviço do FC Porto na única experiência que teve num clube de primeiro nível do futebol europeu.
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